11 Dezembro 2025 - 18h00 (PT) / 15h00 (BR)
Lucinda Oliveira Caetano é arquiteta urbanista formada pela UFRJ, com equivalência pela Universidade do Porto. Mestre em História e Crítica de Arte (UFRJ) e pós-graduada em Arqueologia e Património pela Universidade Nova de Lisboa, onde também concluiu o doutoramento em Urbanismo. Membro do Colégio de Especialidades em Urbanismo da Ordem dos Arquitetos Portugueses desde 2019 e do conselho editorial do Journal of South Architecture desde 2025. Integra o corpo técnico do Património Cultural – Instituto Público e, desde 2015, colabora como investigadora no no Centro de Investigação em Arquitetura, Urbanismo e Design (CIAUD) da Universidade de Lisboa. É deputada municipal em Portimão (2025-2029) e participa na Associação Cívica Cidade da Participação.
A Permanência Identitária de Alguns “lugares” no Decurso Temporal, apesar da gentrificação; caso de estudo: o bairro do Príncipe Real, Lisboa
Assistir SessãoEste trabalho reflete sobre a permanência da identidade em certos “lugares” da cidade ao longo do tempo, mesmo diante da gentrificação decorrente da reabilitação urbana. A reflexão centra-se no conceito de “identidade”, que, segundo Brandão (2011, p. 63), é coerente consigo própria, não necessariamente constante. Pode subdividir-se em dois aspetos: arquitetónico-urbanístico e comunitário, ligado à memória e às narrativas locais. Considerando a cidade como soma do suporte físico, comunidade e memória, percebe-se que, mesmo que a comunidade desapareça, o suporte físico preserva as narrativas e a identidade do lugar. Françoise Choay (2004, p.70) distingue cidade (urbe + civitas) do urbano (apenas espaço construído), mostrando que o suporte físico com narrativa própria garante a essência da cidade mesmo com gentrificação. No Príncipe Real, surge uma associação de empresários internacionais que cria uma nova comunidade e sentido de lugar, levantando a questão: a gentrificação passará a incluir a “criação de comunidades” pelos promotores imobiliários?